Se bebeste uma IPA nos últimos anos e sentiste aquela explosão de lima, manga, maracujá ou toranja antes sequer de levares o copo aos lábios, é muito provável que o que estavas a cheirar fosse Citra.
O lúpulo Citra é provavelmente a variedade mais influente do craft beer moderno. Não a mais antiga, nem a mais complexa tecnicamente, mas a que mais definiu o sabor de toda uma geração de cervejas artesanais. Perceber o que é o Citra é perceber porque cheiram as IPAs de hoje como cheiram.
O que é o lúpulo Citra
Citra é uma variedade norte-americana de lúpulo desenvolvida pela Hop Breeding Company e lançada comercialmente em 2007. O nome não é por acaso: vem diretamente de citrus, o género botânico dos citrinos, e descreve com bastante precisão o seu principal perfil aromático.
Tecnicamente, o Citra tem um teor de ácidos alfa entre 11% e 13%, o que lhe dá potência suficiente para conferir amargor. Mas o seu verdadeiro valor não está aí, e sim no seu óleo essencial: uma concentração excecionalmente elevada de mirceno, linalol e geraniol que produz aquela explosão de fruta tropical e citrinos que o tornou inconfundível.
O que distingue o Citra de outras variedades cítricas é a sua intensidade e complexidade em simultâneo. Não é apenas lima ou apenas toranja: são as duas ao mesmo tempo, mais manga, mais maracujá, com um fundo floral que surge no final. É um lúpulo que cheira a mais coisas do que consegues nomear no primeiro gole.
Porque dominou o Citra o craft beer
Quando o Citra chegou ao mercado no final dos anos 2000, a cena craft norte-americana procurava há anos variedades que fossem além do perfil resinoso e de pinho dos lúpulos clássicos como Simcoe ou Chinook. O Cascade tinha aberto a porta ao mundo dos citrinos nos anos 80, mas o Citra levou esse conceito a outra dimensão de intensidade.
As cervejeiras norte-americanas que lideravam o movimento das IPAs, Other Half em Nova Iorque, Trillium em Boston e Tree House no Massachusetts, adotaram-no rapidamente e fizeram dele protagonista de algumas das suas referências mais icónicas. A Double Citra Daydream da Other Half, por exemplo, é uma das cervejas com mais avaliações na Untappd em todo o mundo e construiu a sua reputação quase exclusivamente sobre aquilo que o Citra consegue fazer em dose dupla.
O crescimento da New England IPA , turva, sumarenta, com amargor suave e aroma exuberante, foi em grande parte o crescimento do Citra. O estilo foi concebido para maximizar precisamente o que este lúpulo oferece: fruta tropical no nariz, corpo suave e final limpo.
Como se utiliza o Citra numa cerveja
O Citra pode ser adicionado em diferentes momentos do processo de produção e cada momento gera um resultado diferente.
Quando é adicionado no início da fervura, os seus ácidos alfa isomerizam-se e conferem amargor. Funciona, mas não é aí que brilha.
Quando é adicionado no final da fervura ou durante o whirlpool , a fase de circulação em redemoinho do mosto quente, extraem-se mais óleos aromáticos com menos amargor. Aqui começa a mostrar o seu caráter.
Onde o Citra realmente se destaca é no dry hopping: adicionado diretamente ao tanque de fermentação ou de maturação a frio, sem calor que evapore os seus óleos essenciais. O resultado é o aroma tropical mais puro e intenso possível, sem amargor adicional. As NEIPAs e Hazy IPAs mais aromáticas do mercado utilizam Citra em dry hopping maciço, por vezes em quantidades que há vinte anos teriam parecido absurdas.
Muitas cervejeiras combinam Citra com Mosaic , mais terroso e complexo, ou com Galaxy , com mais maracujá e morango, para criar perfis aromáticos mais elaborados. Sozinho, o Citra tende para os citrinos puros; combinado, pode tornar-se algo muito mais difícil de definir por palavras.
O que esperar ao beber uma cerveja com Citra
Se vires Citra no rótulo ou na descrição de uma cerveja, podes antecipar:
No nariz: lima, toranja, tangerina, manga e maracujá. Por vezes, líchia. Um fundo floral que pode lembrar jasmim nas versões mais suaves.
Na boca: depende muito do estilo. Numa West Coast IPA será mais seco e amargo, com os citrinos integrados. Numa NEIPA ou Hazy IPA será sumarento, suave, quase sem amargor percetível e com uma sensação de fruta acabada de espremer.
No final: limpo, com os citrinos a persistirem durante alguns segundos. As versões com dry hopping generoso têm um retrogosto floral que pode durar bastante.
Um aviso importante: o Citra é muito sensível à oxidação e ao calor. Uma cerveja com Citra que passe meses numa prateleira quente não vai cheirar da mesma forma que essa cerveja acabada de produzir. Se puderes escolher, bebe sempre a mais fresca.
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A pergunta que todos fazem: Citra ou Mosaic?
É o debate mais recorrente entre os apreciadores de IPAs modernas. Ambos são lúpulos norte-americanos de nova geração, ambos dominam o craft beer contemporâneo e ambos aparecem juntos em muitos rótulos. Mas não são iguais.
Citra é mais cítrico, mais direto, mais limpo. Lima, toranja e manga. Fácil de identificar, quase sempre reconhecível no primeiro gole.
Mosaic é mais complexo e mais difícil de definir. Também tropical, mas com nuances terrosas, fruta mais escura e notas de mirtilo ou maracujá que aparecem e desaparecem. Mais misterioso.
Juntos, são a combinação mais frequente nas melhores NEIPAs do mundo. O Citra dá a explosão inicial; o Mosaic dá a profundidade que torna a cerveja interessante até ao último gole.
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